Honrar o fim de um ciclo.
Já aconteceu com você de começar uma coisa e não conseguir terminar?
Hoje eu me sinto muito mais aberta a me expressar com recursos plásticos dos mais diversos sem a necessidade de performance estética, ou seja, se eu quero pintar eu pinto, mesmo sem técnica, se eu quero borda eu bordo (do meu jeitinho), se eu quero cortar e colar eu faço, se eu quero escrever, eu escrevo.
Venho me libertado da necessidade de mostrar performance e focando em me permitir expressar.
Uma das formas de expressão que encontrei foi criar mandalas "olho de Deus", você só precisa de umas linhas de bordado (espessura média) palitos de churrasco e uma tesoura, não precisa de ferramenta, usamos nossas mãos para entrelaçar os fios nos palitos, formando uma linda mandala em forma de losango.
Estudo Arteterapia e essa técnica é poderosa para organizar e ordenar pensamentos, acontecimentos.
Então quando comecei a fazer mandalas achei uma delícia, fácil, fica bonito, dá pra fazer de várias formas e texturas, é só ir variando as linhas, fiz várias, até que um dia comecei uma que simplesmente não consegui terminar, montei 30% dela e travei, estava sem paciência e deixei pra outro dia, mas esse outro dia já se passaram quase 2 meses, e ela fica ali no meu guarda roupas, sempre que eu abro ela me atormenta com a lembrança de algo me cobrando para chegar ao fim.
Eis que comentei isso com uma pessoa muito sábia e ela então me disse: - "O que na sua vida você está evitando o fim, mas sabe que já devia ter acabado?"
Essa frase me atravessou, eu soube na hora do que se tratava aquela mandala inacabada e o porque estava tão difícil voltar nela para finalizá-la. O que acontece quando eu terminar ela? Como eu lido com finais?
Não, eu estou aqui escrevendo mas ainda não terminei aquela mandala, rs, estou processando tudo isso e achei uma ótima oportunidade pra iniciar minha escrita neste blog, mas em breve eu vou terminar essa mandala e eu sei que ela será um símbolo bonito da minha capacidade de passar por encerramentos de ciclos, de que eu venci o medo do "e depois?" e acolhi com carinho o "não sei".
Tem algo que está difícil de olhar por aí? Algo que é mais fácil evitar? Bóra ter coragem!
"Depois do muro, o vento sopra a favor" - Allan Dias Castro
Catanaa


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